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João Aguiar

Opinião

"Olívia costureira… Olívia patroa!"

João Aguiar
2011-02-08

 

Na passada semana, dizíamos assim:
“Começaríamos por realçar o facto de, apenas com a habitual posição de um PSD cada vez mais isolado e triste, a Assembleia Legislativa Regional ter aprovado a extensão da compensação salarial que já abrangia os trabalhadores da Administração Regional, aos trabalhadores das autarquias locais, desde que os executivos camarários assim o decidam. Como era de esperar, o PSD que criticara a medida por apenas envolver os funcionários dos órgãos regionais, agora vem criticar por isto, por aquilo e por aqueloutro. No entanto, não deixa de ser interessante constatar a incoerência de Berta Cabral que, enquanto líder partidária condena e desaprova a medida mas, como presidente de uma câmara municipal, pondera a hipótese de implementar a medida que o PSD chumbou no parlamento!”
Realmente, muito embora não sejamos adivinhos, acertamos mesmo em cheio, na antecipação da decisão da senhora Presidente da Câmara.
Após uma curtíssima ponderação, Berta Cabral, no intervalo de mais uma visita de campanha eleitoral para as regionais de 2012, veio declarar que irá aplicar aquela prorrogativa legal aos funcionários da Câmara de Ponta Delgada, ou seja a atribuição da compensação salarial que havia sido chumbada pelo seu – leia-se dela – PSD.
Em mais uma tentativa falhada de mostrar coerência com as dispares atitudes tomadas, ora como líder laranja ora com presidente de câmara, Berta Cabral tentou transmitir a ideia de não ser a favor medida proposta pelo Partido Socialista e aprovada por todas as forças representadas no parlamento Regional, excepto o PSD, e que iria simplesmente cumprir a lei ao aplicar aos funcionários da autarquia pontadelgadense a compensação que considera injusta, reforçando o pensamento de que temos de cumprir a lei, muito embora a possamos considerar arbitrária.
Tendo plena consciência e conhecimento do conteúdo da lei aprovada, Berta Cabral omitiu propositadamente a inclusão no citado decreto legislativo regional, que mereceu a promulgação do Representante da República, a garantia da capacidade de decisão de cada uma das autarquias sobre a aplicação ou não da medida compensatória aos funcionários dos seus quadros.
Ficamos satisfeitos ao saber que os trabalhadores da Câmara de Ponta Delgada não ficariam injustamente prejudicados. Mas, em boa verdade, se Berta Cabral Presidente da Câmara fosse congruente com a posição de Berta Cabral, Presidente do PSD, a única decisão que poderia assumir coerentemente seria a de não conceder o referido complemento aos trabalhadores da edilidade por ela presidia, que a ele poderiam ter direito.
A líder do PSD com essa atitude demonstra falta de coerência política. Cremos que a decisão de dar o dito por não dito, sem o assumir com frontalidade, tentando baralhar as cartas em jogo, foi exclusivamente a assunção de uma disposição meramente eleitoralista que não passou despercebida ao mais desatento trabalhador.
Se Berta Cabral, Presidente da Câmara de Ponta Delgada, levasse à prática o que Berta Cabral líder do PSD dos Açores defendeu, certamente os trabalhadores que se encontram sob a presidência de Berta Cabral autarca, jamais votariam em Berta Cabral candidata à presidência de um governo ao qual jamais dirigirá.
A atitude de Berta Cabral, com o devido respeito pela falecida, faz-me recordar a célebre rábula teatral “Olívia patroa… Olívia costureira” da inigualável senhora do espectáculo, Ivone Silva, que nos proporcionou repetidamente inúmeros momento de alegria e boa disposição ao assumir de forma sublime uma dupla, contraditória e antagónica personalidade.
Teatro… é sempre teatro!

 

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