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Luiz Fagundes Duarte

Opinião

"Dar ou não dar Cavaco"

Luiz Fagundes Duarte
2011-01-08

 

Uma grande parte das palavras e expressões de uma língua natural, como é o Português, têm uma origem obscura: não sabemos de onde vêm, ou porque é que têm a forma que lhes conhecemos, ou a razão dos significados que todos lhes acordamos. E no entanto sabemos usá-las no momento certo e no contexto adequado, tendo a certeza de que o nosso interlocutor as entende exactamente na acepção que lhes queremos dar.
Esta nossa capacidade de nos exprimirmos através de palavras que o Povo construiu é tanto mais interessante quanto se manifesta espontaneamente, a qualquer momento e circunstância, por meio de significados comuns a quem fala e a quem ouve – mas que nem um nem outro consegue explicar de uma maneira racional. E no entanto as pessoas entendem-se, sabem que se entendem – e para o reforçarem até usam expressões como “para bom entendedor…”, que significa que quem está dentro do contexto entende claramente aquilo que se disse de uma maneira indirecta ou obscura, ou “perdeu o fio à meada”, quando quem fala (ou quem escuta) deixou de seguir a teia de significados subjacente à conversa. Vou dar um exemplo.
A palavra “cavaco”, que como todos sabemos significa uma farpa ou lasca produzida pelo desbaste da madeira, quando é pequena, ou uma acha, quando é grande, pode ser utilizada em expressões que nada têm a ver com madeira. Temos, assim, expressões como “dar cavaco”, que todos entendemos como uma demonstração de aborrecimento por parte de quem é ridicularizado; “dar o cavaco por”, que quer dizer que se gosta muito, de uma maneira acrítica, de uma dada coisa ou pessoa; ou “catar cavacos”, que descreve uma pessoa que corre com o corpo inclinado para a frente e com as mãos quase a tocar o chão, na tentativa de recuperar o equilíbrio após dar um tropeção ou receber um empurrão (por vezes não o conseguindo); ou ainda “não dar cavaco a”, que significa não ter atenção para com alguém. Derivado de “cavaco”, encontramos o verbo “cavaquear” para designar uma conversa despretensiosa e amigável, de onde regurgitou o substantivo “cavaqueira” – que é, no fundo, aquilo que eu estou aqui a fazer com os meus leitores.
Ou seja, cavaqueamos.
Ora, ainda ninguém conseguiu explicar o porquê desta relação de um pobre cavaco com o acto de conversar. Até porque se alguma coisa há que caracterize um cavaco é a sua absoluta falta de capacidade para falar e, assim, para conversar. Vá lá saber-se porquê (e aqui entram os subentendidos todos de que a nossa linguagem está bem recheada), dou por mim a realçar a expressão “não dar cavaco” – que é, de entre todas aquelas que acima referi, a mais utilizada no nosso dia-a-dia e que também, em meu entender, se mostra mais adequada à condição natural de se ser cavaco: não falar. Ou então fazer a proeza de dizer que se é mal-educado – sem pronunciar palavra.
Amarrado que me encontro à teia de subentendidos que subjaz a uma conversa entre falantes da mesma língua, não resisto a recordar aqui o episódio recente do Presidente da República que deixou de o ser para se candidatar a Presidente da República e que, de visita à Madeira e aos Açores, nos deu um belíssimo exemplo ilustrativo destes sentidos obscuros que a linguagem do Povo deu ao pobre do cavaco: enquanto, na Madeira, ele “deu o cavaco por eles”, nos Açores “não deu cavaco a ninguém”. E quando alguém lhe recordou tamanho gesto de má educação – o homem “deu cavaco” e pôs-se a “catar cavacos”.
– “Para bom entendedor…”, lá cavaquearia a Tia Guilhermina da Fajã, batendo na testa e mostrando o seu dentinho escarnento.

 

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