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Berto Messias

Opinião

"As cambalhotas"

Berto Messias
2011-03-21

 

Já começa a ser voz comum que a líder do PSD/Açores se recusa, sistematicamente, a abordar um assunto em toda a sua profundidade, optando sempre por analisar ou debater qualquer tema pela rama e insistindo em não comprometer-se com nada.
São desde as eleições internas do PSD, sem nunca querer comprometer-se com qualquer candidato, até ao facto de ter anunciado um candidato do PSD/Açores ao Parlamento Europeu para, rapidamente, ter de dar uma cambalhota política e aceitar uma candidata imposta não se sabe bem por quem.
Mais recentemente estamos a ter a confirmação que a líder do PSD/Açores apresenta a (in)capacidade de previsão e estratégia política de Berta Cabral a toda a prova. Pena é que nunca bata certo com o que pensa e faz o seu partido a nível nacional, mesmo que isso passe quase despercebido à opinião pública.
Um exemplo concreto. A 11 de Fevereiro, Berta Cabral defendia, solenemente, que a moção de censura do BE ao Governo da república deveria ser “encarada com toda a seriedade” pelo PSD nacional. Pouco tempo depois, Pedro Passos Coelho rotulava o anúncio do BE de “pseudo-moção” e que ainda era “tempo do Governo governar”.
A (in)capacidade política de Berta Cabral foi ainda mais evidente quando alegou, também na mesma ocasião, que “o PSD deve ponderar e só dentro de um mês tomar uma decisão” relativamente à votação da moção. Apenas três dias depois, o PSD considerou “inevitável” a abstenção social-democrata e matou, à partida, a moção de censura. Três dias apenas.
Deste episódio pode-se retirar uma ilação. Berta Cabral está a milhas de perceber politicamente o que interessa e o que tem impacto no país e, como cá, acha que tudo vale na política, desde que se consiga fazer mossa no Governo.
Aliás, esta inconstância do PSD/Açores transpira para todas as estruturas, inclusivamente para o seu grupo parlamentar que nega hoje o que apresentou e defendeu, acerrimamente, há pouco tempo atrás. As contradições sobre a remuneração compensatória são bem demonstrativas disso. Há dois meses eram contra, agora são a favor. O que era injusto e péssimo para os Açores afinal é bom e justo para a Câmara de Ponta Delgada.
Mais um exemplo concreto. O PSD/Açores alegou que a criação de uma comissão de inquérito sobre a qualidade da água na Praia da Vitória, neste momento, seria, apenas, “ruído mediático”, face às competências que as comissões de inquérito têm nos Açores. Estamos a falar do mesmo PSD/Açores que propôs e liderou a Comissão de Inquérito à construção do navio “Atlântida”, com as mesmíssimas competências que existem actualmente. A ilação é a mesma. Se um assunto der para fazer “estragos” no Governo Regional tudo vale. É, assim, um PSD/Açores mais interessado em denegrir quem trabalha do que manter alguma réstia de coerência política.
Os casos mais recentes da líder do PSD/Açores aconteceram na Graciosa, onde foi afirmar um conjunto de frases feitas e chavões sobre a cooperação com as IPSS dos Açores, sem concretizar, por uma vez que fosse, um projecto concreto e objectivo do PSD nesta matéria e onde disse que agora é que é preciso ouvir os jovens.
Na primeira questão a intervenção de Berta Cabral esqueceu, como quase sempre, a realidade concreta dos Açores. Essa diz-nos que, nos Açores, estão em funcionamento 237 instituições particulares de solidariedade social, com um trabalho muito importante, que disponibilizam 695 equipamentos com valências para idosos, infância, deficiência, juventude, família e comunidade. O Governo disponibiliza do seu Orçamento anual 44.719,711 milhões de euros nos apoios às IPSS através de acordos de cooperação.
Para o PS/Açores, estes dados concretos são mais importantes para os açorianos do que dizer que um eventual governo do PSD iria efectuar um “pacto” com as IPSS
Na segunda questão, todos se recordam que aquela que quer agora “ouvir os jovens” é a mesma que renegou a organização partidária de juventude do seu partido, quando foi confrontada com os problemas eleitorais internos da JSD, desrespeitando profundamente uma organização que já teve grande peso político no PSD e os seus militantes e dirigentes.
Por tudo isto é bem notório que a líder do PSD Açores, além de estar a demonstrar uma profunda incapacidade e superficialidade política (basta ler as entrevistas que dá e as propostas que (não) faz), tem um problema de dupla personalidade. Como sempre, nos casos de dupla personalidade, uma pessoa acaba sem personalidade nenhuma.

 

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